segunda-feira, 2 de abril de 2012


O amor só dura em liberdade


Como libertar o inerente?


Rente a carne que sente?


O humano sentimento de gente?


Como libertar?


Um sacrifício?


Sem letras, sem linhas


Sem retas


Caminhos


Espinhos


Pedras por todos os lados


Curvas que levam ao nada


Quem não planta não colhe nada


Sendo o lado negro da dor


O lago negro do amor


Na noite negra da lua vulneravel e receptiva


Recebe a luz....

terça-feira, 13 de março de 2012

De quantos fios são feitos a teia do teu sonho?

Linha interligada

Ocupada e tecida

Por tantas mãos.

De quanta espera se faz um momento?

Entorpecido e despido

Por tuas mãos?

De quantos copos são feitos a noite que te encontro?

Noite estrelada , escrita e esperada

Por minhas mãos.

São fios de ouro a teia dos humanos?

Conexão e memória

São imagens distorcidas meu momento?

São copos suspensos no ar?

Da noite que te encontro?

domingo, 19 de junho de 2011

O óbvil em tudo

Não tem hora do dia para que as coisas se tornem óbvias demais
E isso incomoda... o latido exato dos cachorros
o vento gelado entrando pela fresta da janela
a exatidão das pessoas dormindo e a memória saltando pelos ouvidos em cores
de diversas cores
de diversos sons
e cheiros
e gostos
Então queria sentir o gostinho e o cheiro de chiclete de morango da minha infância
Mas ao invés disso vem fumaças de cigarro e o gosto ácido de vinho misturado com choro.
e meu corpo então parece que é de gesso com alguma coisa rompendo lá dentro que não consegue sair e que sobe pela garganta e quer gritar...
Lembro até do quanto era quente o ventre...
e da minha alma se perguntando :
-Terei mesmo que ser humano?

Carta em branco

De tão magnético em mim
Fica escrita no canto
Do olho do encanto
Fica dentro de mim
O vazio de branco
O vazio de tanto
De querer assim no vazio de um copo sem fim...no vazio de um corpo que invento pra mim

terça-feira, 7 de junho de 2011

O coração desnorteado não bate
se remexe no meu peito vazio
cheio de sangue
ele jorra sangue
ele lembra de ti

A carne mole não pulsa
se endurece no meu tórax cheio de amor
cheio de água
cheio de odor

Meu coração doado
danificado e esquartejado
vira rubi
cheio de veias
cheio de rios
que nadam sereias
e fabrica arrepios

Meu coração de animal
sem razão
só de instinto
vive em erupção
vira vinho tinto

Meu peito
que abriga
meu peito aberto que obriga
bater de calafrios
meu sangue por ti...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ela diz que não é de nada
Ela diz que não é de ninguém
Se sente por pouco tempo
Como parte das lembranças de alguém
Ela sente que é assim quando se parte
que é somente uma consciência
E só existe quando alguém
Sente o cheiro da sua ausência
É só uma egoísta forma de ser algo
De ser essência
É um espírito acoplado em carne ambulante
É um vago odor de corante
De morango
Numa noite de baile dançante
Num mundo onde ela é o que o mundo determina a ela ser
Só é menina antes de envelhecer
Num mundo que primeiro dói depois se chora
Não é assim onde ela mora
Lá não existe lágrima
Se existe não escorre
Se evapora...
Não existe barulho de vidro cortante
Existem imagens feitas de instantes
Pega um rosto no vapor
O beija e sente o ardor
E desmonta seu pavor pra ver o que tem dentro
Mora aonde as coisas verdadeiramente possam ser
Primeiro se põe o sol e
Depois o amanhecer
E estabelece a ordem das coisas
E as vezes acredita no que vê
É o que é porque assim tem que ser
Não é morta nem viva
Pra sempre vai viver
O metal soa estrondoso
Avisando que a porta se abre
Quebram-se borboletas de vidro
E ela pega e nelas pisa pelo chão
Transformam-se em lagartas as cartas no portão
Pisa sozinha no escuro sem medo de nada
Porque não é ninguém
Nem mesmo sombra de alguém
E lá encontra outra mão fria
Na escuridão quando o chão dos seus pés desabam
E as mãos sabem que devem ficar
Atadas
Mas então o dono da mão acorda
E pra ela não resta mais nada
Só o sol nascendo lá no fundo
Dissipando aquele escuro
Aquele nada...
E volta para o mundo de som , de cor e de texturas
De cheiros, de morte e sepulturas
Lá não se morre
Porque não precisa nascer no sofrer
Lá não se morre de amores
Se vive de tanto viver...




quarta-feira, 1 de junho de 2011

Quando eu...

caio no espaço negro de galáxias coloridas
minha mão se esvai no nada
no mundo das lembranças esquecidas
no lodo das alegrias contidas
que por serem belas e explosivas
são comparadas com flores de uma noite
ou apenas...
parecidas.