terça-feira, 31 de maio de 2011

(O salto fino riscava o asfalto molhado daquela tarde)

Tirando o corte fundo...

A luz vermelha de sua boca é só o que arde

Anda em círculos pela redondezas

Procurando nos cantos dos quadrados

Onde ficou a leveza.

Entre travestis plumas e embriagados

Dançando a valsa dos acordados

tropeçando em mendigos e cachorros.

Vertendo conhaque na calça de couro.

Virando vitrine de vagabundo,

virando a esquina do mundo.

Cortando o caminho

Como quem parte um pedaço de pão

Comendo o carinho

O miolo do vão...

O recheio da vida

Se come com a mão

Contendo alegria nas coisas que conta

Contando tristezas que tenta conter

Revertendo o palco da vida que monta

O que de fato não queria esquecer

É um quase nada de importante

Era um quase enfeite de estante

É quase aquilo que não quer ser

É uma menina longe e distante

Que injeta adrenalina o bastante

Pra não se entorpecer

De delírios em branco

Porque ninguém os vê

E quando ela o pega com as mãos

Volta a ser velha

Cospe no chão

Enche de folhas a panela

Que viram estrelas que

Enche o céu que é só dela

E então volta a ser a dama que baila no vapor

Que dança no fogo

Que conhece o amor

Pois o amor é só dela

Preso num ventre

E o rancor o congela...

E então o sol da manhã parece que é dela pois

De tanto ouro o amor...

Degela....

Mas volta a ser flor

Como outra qualquer de primavera

E assim quando volta a ser velha

São pétalas secas que guarda com ela

É a mão que sua frio

É a mão que espanca os sonhos dela

É a mão que tece sonhos

Que aquece o corpo e gela

Vivendo num emaranhado de existir

Pairando como um pássaro baleado a cair

Desabando na tua vida

Novamente a se despir

Mostrando o corpo oco

Que tenta expelir

O vazio que preencheste

Durante esse tempo todo a cuspir

No chão que nasce flores

Porque devo engolir?

São sentidos implodidos

São memórias apagadas

Da tua mente fresca

Da tua mente perturbada

São frases sem sentido

São areias já pisadas

São corações espremidos

por decisões impensadas

e então me esbarro em mentiras

em verdades bem contadas

rompendo o portão

das palavras condenadas

como tempestade de areia

que voam para o nada

é assim a distância...

que mora e é presente na minha estrada...